Encostados na parede


Eu não me recordava se eram horas, dias, meses. O tempo inexiste a qualquer sinal de eternidade. Você estava em silêncio, eu estava em silêncio. Ali, encostados na parede. E os seus braços me envolviam. O barulho desaparece. Inspira, expira, respira, e de novo. Naquele abraço, de afeto, de calma, de proteção. Acabávamos de nos conhecer. Atemporal, infinitamente. Você. Seu olhar, no meu, e você nasceu em mim. Nascemos. Vi por esses olhos escuros um ser infinitamente humano, um coração de tamanho suficiente pra me acomodar ali dentro, por algumas, horas, dias meses, eu não me recordava, nem me importava. Vi por entre essa barba encrespada ruiva um sorriso tão lindo de sincero, sincero de lindo, os dois.  Seus lábios entreabertos mostravam um brilho que iluminou meu corpo inteiro. Eu fogo, você ar. Acabávamos de entrar em combustão. E passaram-se horas, dias, meses. Permaneci encostada. Retirou-se em silêncio. Calmo. E em um suspiro, doce, éramos só, as cinzas...

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