Com Vivência



Sou meio "de lua". Gosto e desgosto, subo e desço, vou e volto, e cá estou eu de novo! Já estou em Londres há oito meses (meu Deus!) e até hoje não falei nada sobre isso aqui. E pra falar a verdade nem sei por onde começar. Morar em Londres tem sido uma experiência incrível, mas muito diferente do que a maioria das pessoas pensam. É difícil estar sozinha. Fui morar em outra cidade pela primeira vez em 2011, e desde então já sei me virar, mas a solidão aqui é diferente. Talvez seja porque penso demais sobre as coisas e faço tudo parecer mais profundo do que realmente é. Ou talvez seja porque companhia está além do contato: companhia é (com) vivência. É aquela piada interna, aquele viral do youtube ou aquela música dos anos 90. São memórias comuns que facilitam a abertura e os laços. Além de ser uma cidade enorme, o que já dificulta a aproximação, essa falta de memórias comuns torna a solidão mais vazia, mais intensa. Mas ao mesmo tempo, mais poética. A gente pega o ritmo, e às vezes nos esquecemos da poesia. Estar sozinha me deu um respiro pra estar consciente dos lugares e reagir à eles pensando de forma mais ativa e menos passiva. Entender a memória do outro e como os laços são construídos em cada lugar com cada grupo de pessoas, pra mim, é a maior riqueza que podemos herdar de uma viagem. E a cada flanada aleatória, perceber mais a mim mesma, e aprender que, se sentir em casa é um estado de espírito adaptável.







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